A indústria brasileira de máquinas e equipamentos iniciou 2026 em ritmo de desaceleração acentuada. Em janeiro, o setor registrou receita líquida de R$ 17,28 bilhões, uma queda de 17% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
O resultado acende um sinal de alerta para a indústria de bens de capital, considerada termômetro dos investimentos produtivos no país.
Mercado interno recua quase 20%
O mercado doméstico foi o principal responsável pelo desempenho negativo. A receita interna somou R$ 12,8 bilhões em janeiro, representando retração de 19% frente ao ano anterior.
Já o consumo aparente — indicador que mede a soma da produção nacional com importações — caiu ainda mais: 21,5%, totalizando R$ 26,5 bilhões. O dado mostra enfraquecimento direto da demanda por novos investimentos produtivos.
Juros altos e câmbio pressionam o setor
Entre os fatores que explicam a desaceleração estão:
- Taxas de juros elevadas, que encarecem financiamentos e inibem a compra de máquinas
- Política monetária restritiva, reduzindo o apetite por investimentos
- Valorização do real frente ao dólar, diminuindo a competitividade das exportações
Embora o câmbio mais favorável possa baratear insumos importados, ele também torna os produtos brasileiros menos competitivos no exterior, afetando o desempenho internacional da indústria.
Projeção ainda é positiva para 2026
Apesar do começo de ano negativo, a Abimaq mantém expectativa moderadamente otimista para o restante de 2026.
As projeções indicam:
- Crescimento de 3,5% na produção
- Alta de cerca de 4% na receita líquida
- Expansão de 5,6% na demanda doméstica
O desempenho esperado deve ser impulsionado principalmente por contratos já firmados em infraestrutura e pela continuidade de investimentos no setor extrativista.
Setor estratégico acompanha cenário com cautela
A indústria de máquinas e equipamentos é um dos pilares da atividade econômica, pois influencia diretamente construção, agronegócio, mineração e indústria de transformação.
O início fraco de 2026 reforça a necessidade de atenção às condições macroeconômicas, especialmente juros e câmbio, que seguem determinantes para a retomada mais consistente do setor ao longo do ano.