O debate sobre o fim da escala 6×1 em 2026 ganhou um novo e decisivo capítulo nesta semana. Isso porque o governo federal confirmou, de forma direta, que pretende acelerar a tramitação de um projeto de lei para mudar o atual modelo de trabalho, que hoje prevê seis dias consecutivos de expediente para apenas um dia de descanso. A sinalização veio da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que tratou o tema como prioridade absoluta da agenda governista.
Logo de início, a ministra deixou claro que o assunto já está maduro. Segundo ela, o Executivo avalia unificar propostas que já tramitam no Congresso Nacional, criando um texto único para facilitar o debate e, consequentemente, agilizar a aprovação ainda no primeiro semestre. Ou seja, o governo quer aproveitar o clima favorável logo na retomada do ano legislativo.
Além disso, Gleisi ressaltou que a mudança vai além de uma simples alteração na legislação trabalhista. Conforme explicou, trata-se de uma pauta que envolve qualidade de vida, saúde mental, equilíbrio familiar e justiça social, especialmente para trabalhadores que enfrentam jornadas exaustivas.
Atualmente, milhões de brasileiros vivem sob a lógica da escala 6×1. No entanto, de acordo com a ministra, esse formato já não acompanha a realidade social nem as transformações do mundo do trabalho. “Não é razoável que uma pessoa tenha apenas um dia para descansar, resolver tarefas pessoais e cuidar da família”, destacou.
Outro ponto que ganhou destaque foi o impacto direto da escala 6×1 sobre as mulheres. Conforme Gleisi explicou, são elas que, na maioria dos lares, acumulam trabalho formal, tarefas domésticas e cuidados com filhos e familiares. Portanto, mudar a escala representa também um avanço importante na redução das desigualdades de gênero.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria dado sinal verde para que o tema avance com prioridade máxima. Segundo a ministra, após medidas como a valorização real do salário mínimo, a geração de empregos e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o governo entende que chegou o momento de focar diretamente no bem-estar da população.
Além do apoio do Planalto, o projeto também encontra receptividade no Legislativo. Gleisi afirmou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, demonstra abertura para colocar o tema em pauta. Dessa forma, o governo acredita que existe espaço político para avançar rapidamente.
Outro fator que reforça o otimismo é o apoio popular. Assim como ocorreu com a proposta de isenção do Imposto de Renda, o governo avalia que, quando a sociedade se posiciona de forma clara, o Congresso tende a responder de maneira mais sensível. Inclusive, setores produtivos, como partes da indústria, já adotam escalas diferenciadas, o que enfraquece argumentos contrários à mudança.
Com a retomada dos trabalhos legislativos marcada para 2 de fevereiro, o fim da escala 6×1 aparece entre as prioridades centrais do governo. No entanto, a agenda é ampla. Também estão na lista temas como o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, a regulamentação do trabalho por aplicativos, a PEC da Segurança Pública, além do projeto de lei antifacção.
Ao mesmo tempo, o governo trabalha para manter vetos importantes, como o que barra o chamado PL da Dosimetria, que previa a redução de penas relacionadas aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Para Gleisi, manter esse veto é essencial para preservar o Estado Democrático de Direito e garantir que o processo de responsabilização siga firme.
Paralelamente, outro anúncio relevante envolve o enfrentamento à violência contra a mulher. De acordo com a ministra, os Três Poderes devem assinar um pacto nacional contra o feminicídio no início de fevereiro. Esse compromisso entra diretamente na lista de prioridades do presidente Lula e reforça a pauta social do governo em 2026.
No campo das relações com o Congresso, Gleisi afirmou que o tema das emendas parlamentares está praticamente pacificado. O Orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas, sendo grande parte de execução obrigatória. Além disso, o governo planeja antecipar o pagamento de pelo menos 65% das emendas impositivas até julho, o que tende a reduzir tensões políticas.
Durante a conversa com jornalistas, a ministra também comentou as investigações envolvendo o Banco Master. Segundo ela, há uma tentativa da oposição de criar associações indevidas entre o governo e o banqueiro Daniel Vorcaro. No entanto, Gleisi reforçou que todas as apurações seguem critérios técnicos, com atuação firme do Banco Central e da Polícia Federal.
Ela ainda destacou que foi justamente durante a gestão do ex-ministro Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça que o presidente do Banco Master acabou preso. Dessa forma, segundo Gleisi, não há qualquer contradição na postura do governo, que segue comprometido com investigações rigorosas.
Diante desse cenário, o fim da escala 6×1 em 2026 deixa de ser apenas uma promessa e passa a se consolidar como uma possibilidade real. Com apoio político, respaldo popular e prioridade na agenda, a proposta pode representar uma das maiores mudanças nas relações de trabalho dos últimos anos.
Por isso, acompanhar os próximos passos será fundamental. Caso o projeto avance como o governo espera, milhões de trabalhadores poderão conquistar mais tempo de descanso, melhor qualidade de vida e maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
👉 Fique atento às atualizações, acompanhe o andamento do projeto e participe das iniciativas que defendem melhores condições de trabalho. Informar-se também é uma forma de participar da mudança.